Parasitas e imunidades/vacinas
Infecções parasitárias, especialmente por helmintos e protozoários, podem modular o sistema imunológico, geralmente desviando a resposta para um perfil Th2 ou aumentando células regulatórias. Isso reduz a imunidade Th1 e citotóxica, prejudicando o controle de bactérias intracelulares (como Salmonella, Mycobacterium spp.) e vírus (como HIV, Norovírus e Influenza). Estudos demonstram que helmintos podem aumentar a viremia de HIV e SHIV, facilitar reativação de herpesvírus, prejudicar o controle de reinfecção por Influenza e COVID-19 ao reduzir IFN-γ e TNF-α, diminuindo a resposta antiviral. Assim, a presença de parasitas pode aumentar risco de reinfecções ou prolongar a persistência viral em doenças como HIV, COVID-19, herpes e Influenza.
Além disso, parasitas podem alterar o ambiente do hospedeiro, favorecendo a invasão bacteriana por danificar barreiras epiteliais ou alterar o metabolismo local. Exemplos práticos: infecção por helmintos intestinais (como Ascaris lumbricoides) em humanos pode aumentar o risco e a gravidade de infecções bacterianas intestinais, como Salmonella e Escherichia coli, por alterar a microbiota e danificar a mucosa. Infecções por Schistosoma spp. estão associadas a maior risco de infecção bacteriana do trato urinário.
Em regiões endêmicas, parasitas intestinais estão ligados a maiores casos de diarreia bacteriana grave por Campylobacter e Shigella. Em peixes, parasitas protozoários (Ichthyophthirius) aumentam a mortalidade por infecções bacterianas como Edwardsiella ictaluri.
Além disso, a imunossupressão causada pelos protozoários pode reduzir a eficácia de vacinas, levando a menores níveis de anticorpos protetores e aumentando o risco de infecções mesmo em populações vacinadas.
Tabela - Exemplos de parasitas, doenças bacterianas/virais favorecidas e impacto em vacinas:
| Protozoário | Doenças favorecidas | Efeito em vacinas |
|---|---|---|
| Plasmodium spp. | Tuberculose, Salmonella, HIV | Reduz anticorpos de vacinas contra tétano, difteria, meningococo |
| Babesia spp. | Doença de Lyme (Borrelia burgdorferi) | Diminui resposta a vacinas contra Borrelia (Lyme) |
| Trypanosoma | Brucella spp. | Reduz resposta a vacinas contra Brucella e outras |
| Trichomonas | Infecções bacterianas vaginais | Pode alterar a resposta imune local a vacinas |
| Entamoeba | Infecções bacterianas intestinais | Não documentado, mas altera imunidade da mucosa intestinal |
Assim, infecções por protozoários devem ser consideradas em estratégias de saúde pública e programas de vacinação para evitar falhas na proteção imunológica, e programas de desparasitação deveriam ser mais frequentes na saúde pública e população geral, para melhorar a imunidade e respostas às vacinas.

Figura 1. As bactérias presentes no organismo estimulam a produção de anticorpos específicos que ajudam a controlar a carga bacteriana. Por outro lado, protozoários patogênicos interferem negativamente no sistema imunológico adaptativo, suprimindo a atividade de células T CD8+, CD4+ e células B. Essa supressão leva à redução de anticorpos específicos, aumentando a carga bacteriana, a gravidade da doença e o risco de resistência a medicamentos. Protozoários também diminuem os níveis de anticorpos gerados por vacinas bacterianas, reduzindo sua eficácia e possibilitando infecções mesmo em indivíduos vacinados. Da mesma forma, afetam a resposta das células T às vacinas virais, podendo alterar os níveis de anticorpos e favorecer infecções 'breakthrough' por vírus.
